HOMENAGEM A ADISON DO AMARAL

“O livro que não terminamos”



Meus amigos, meus irmãos, familiares e todos aqueles que vieram hoje se despedir de Adison do Amaral...

Eu pensei muito sobre o que poderia dizer neste momento.

E confesso que, talvez pela primeira vez, as palavras estejam sendo difíceis para mim.

Meu querido e saudoso pai, Adison do Amaral e eu (Anderson Miranda) 

Passei boa parte da minha vida trabalhando com elas. Como jornalista, aprendi a transformar acontecimentos em palavras. Escrevi matérias, textos, homenagens. Com o Adison, trabalhei livros, poemas, histórias, ideias e tantos projetos.

Mas hoje é diferente.

Hoje eu não vim aqui como jornalista.

Hoje eu vim simplesmente como Anderson.

O Anderson que perdeu um amigo.

Que perdeu um irmão.

Que perdeu um mestre.

Que perdeu um PAI de coração.

E, talvez, o melhor amigo que tive nesta Terra.

Eu (Anderson Miranda), meu irmão querido Adison do Amaral e nosso amigo Arthur Nogueira (Administrador da Regional Guará)

Adison entrou na minha vida e, com o passar do tempo, deixou de ser apenas uma pessoa de minha convivência. Tornou-se uma referência.

Daquelas referências que não precisamos procurar nos livros, porque podemos sentar ao lado, conversar, ouvir histórias, receber conselhos, aprender e admirar.

E talvez ele nem tivesse a dimensão de quanto eu aprendia simplesmente estando perto dele.

Nós fizemos muitas coisas juntos.

Trabalhamos textos. Falamos de livros. Revisamos escritos. Fizemos matérias. Conversamos sobre poemas. Sonhamos projetos.

E havia ainda muito para fazer.

Sempre juntos!

Inclusive, estávamos preparando mais um livro.

Eu pensava na edição, na publicação, no lançamento... imaginava aquele momento acontecendo.

Só que a vida decidiu que não teríamos tempo.

E talvez esta seja uma das coisas mais difíceis de aceitar hoje:

ficaram páginas que ainda escreveríamos juntos.

Ficaram conversas que ainda teríamos.

Ficaram projetos.

Ficaram encontros.

Ficaram abraços.

E ficou, principalmente, algo que eu carregava dentro de mim com uma expectativa muito especial.

Muitos aqui sabem da importância que a Egrégia Ordem possuía na vida do Adison.

E eu alimentava um desejo muito particular em meu coração.

Eu queria que ele fosse o meu iniciador.

Queria que, naquele momento tão importante da minha caminhada, estivesse ali o homem que eu escolhi como referência.

Para mim seria uma honra indescritível poder olhar para aquele momento e dizer:

“Foi o meu irmão Adison quem me trouxe até aqui.”

Infelizmente, meu amigo...

não deu tempo.

E isso dói.

Dói porque hoje não perdi apenas alguém que eu amava.

De alguma maneira, sinto que fiquei órfão de uma referência.

Mas pensando em tudo que vivemos, compreendi algo.

Talvez você não tenha conseguido estar fisicamente presente para me conduzir naquele momento.

Mas, de certa forma, você já havia começado essa iniciação muito antes.

Porque iniciação não acontece apenas por meio de um rito.

Há pessoas que nos iniciam na amizade.

Na lealdade.

Na fraternidade.

No respeito.

Na generosidade.

Na sabedoria.

Na compreensão do outro.

E nisso, meu querido Adison, você já havia sido meu iniciador há muito tempo.

Você me ensinou por meio da convivência.

Pelo exemplo.

Pelas conversas.

Pela confiança que depositou em mim.

E pela maneira como me permitiu participar de algo tão precioso para você: suas palavras, seus escritos e sua história.

Por isso, existe algo que a morte não poderá levar.

O seu legado.

Os livros ficam.

Os poemas ficam.

As matérias ficam.

Os seus pensamentos ficam.

As histórias que contou ficam.

Mas, acima de tudo, ficam as pessoas que você transformou durante a caminhada.

E eu sou uma delas.

Hoje, olhando para você, eu gostaria de conseguir dizer apenas duas palavras:

Muito obrigado.

Obrigado pela amizade verdadeira.

Obrigado pela confiança.

Obrigado pelos ensinamentos.

Obrigado pelas histórias.

Obrigado por me chamar de irmão.

Obrigado por me permitir chamá-lo de irmão.

Obrigado por ter sido esse PAI que a vida colocou em meu caminho.

Obrigado por acreditar em mim.

E obrigado, simplesmente, por ter existido na minha vida.

Nós não conseguimos terminar aquele último livro.

E talvez, durante muito tempo, isso ainda vá apertar o meu coração.

Mas hoje percebo que havia outro livro sendo escrito enquanto trabalhávamos.

Um livro que não estava no computador.

Não estava nos arquivos.

Não estava numa editora.

Era o livro da nossa amizade.

E esse, Adison...

esse nós conseguimos escrever.

Talvez não tenha o último capítulo que eu gostaria.

Mas possui páginas maravilhosas.

E essas páginas ninguém apagará.

Nem o tempo.

Nem a distância.

Nem mesmo a morte.

Por isso eu não quero terminar dizendo simplesmente “adeus”.

Quero dizer:

Obrigado, meu irmão.

Obrigado, meu mestre.

Obrigado, meu PAI de coração.

Obrigado, meu amigo.

Meu melhor amigo.

E onde quer que Deus permita que você esteja agora, receba a minha gratidão, o meu respeito e o meu amor.

Um dia eu ainda pretendo atravessar aquela porta que tantas vezes imaginei atravessar tendo você ao meu lado.

Quando esse dia chegar, fisicamente você não estará lá.

Mas eu sei que, no meu coração, entraremos juntos.

E naquele momento, silenciosamente, eu vou me lembrar de você.

Porque algumas pessoas passam pela nossa vida.

Outras deixam lembranças.

Mas existem algumas, raríssimas, que se tornam parte daquilo que nós somos.

Você se tornou parte de mim.

Descanse em paz, meu querido Adison do Amaral.

E obrigado...

Obrigado por tudo, meu velho.

Até um dia, meu irmão.

0 Comentários